Quem planeja alguns dias em Massarandupió costuma perguntar sobre praias, trilhas, hospedagem… e, cada vez mais, sobre energia elétrica.
A pergunta é direta: “Vai faltar luz quando eu estiver aí?”
A resposta também precisa ser honesta — e contextualizada.
Sim, a comunidade convive há anos com oscilações e interrupções no fornecimento de energia. Mas entender por que isso acontece ajuda a transformar a preocupação em consciência — e, muitas vezes, em uma experiência diferente do que se imagina.
De pequena vila a destino desejado
Massarandupió cresceu.
O que antes era uma vila com poucos moradores hoje abriga casas de veraneio, pousadas, guesthouses e pequenos negócios, atraindo visitantes ao longo de todo o ano — especialmente em feriados e alta temporada.
Esse crescimento trouxe vida, renda e movimento.
Mas também aumentou uma demanda que a infraestrutura elétrica local não acompanhou na mesma velocidade.
O limite técnico que impacta o dia a dia
Atualmente, Massarandupió recebe apenas uma corrente bi-fásica de energia, o que é insuficiente para atender à demanda atual da vila.
Esse fator, sozinho, já limita o funcionamento de equipamentos, aumenta o risco de quedas e impede a chegada de empreendimentos que dependem de uma rede mais robusta.
Um exemplo concreto disso foi o de uma fábrica de destilados com insumos da região, que há anos mantém planos de ampliação, mas precisou adiá-los justamente pela impossibilidade técnica de operar sem uma rede tri-fásica.
O que precisaria ser feito para resolver o problema
Para que a situação seja resolvida de forma definitiva, seria necessário:
Implantação de novos postes
Ampliação da rede elétrica até a vila
Substituição do sistema atual por uma rede tri-fásica, capaz de atender moradores, comércios e o fluxo turístico
O desafio é que esse trajeto envolve áreas privadas, incluindo propriedades onde existem plantações de eucalipto — como as fazendas da Bracell.
A instalação da nova rede exigiria a derrubada de algumas árvores, o que gera impasses ambientais, jurídicos e institucionais.
Nesse cenário, a AMAM (Associação de Moradores e Amigos de Massarandupió) atua diretamente nos conselhos municipais (COMDEMA e COMTUR), assim como na APA Litoral Norte, na tentativa de resolver o problema e como mediadora, tentando construir diálogo entre as partes envolvidas (comunidade, prefeitura, Coelba, Bracell, promotoria municipal), para que a solução seja finalmente viabilizada.
E enquanto isso, o que esperar ao visitar Massarandupió?
Aqui entra a parte mais importante para quem vem passar alguns dias por aqui.
Se houver falta de energia durante sua estadia, saiba que:
Não é descaso da comunidade
Não é falta de mobilização
Não é algo ignorado ou normalizado
É um problema estrutural antigo, amplamente discutido e enfrentado por moradores, comerciantes e lideranças locais.
Um convite à tranquilidade — e a outro ritmo
Massarandupió não promete controle total sobre tudo.
Promete presença, natureza e um convite sincero para desacelerar.
Se a energia faltar por algumas horas:
Observe o céu — as estrelas aqui aparecem como em poucos lugares
Aproveite o silêncio que só existe quando tudo desacelera
Entenda que, por aqui, a experiência não depende apenas de tomadas
Muitas vezes, é justamente nesses momentos que Massarandupió se revela de forma mais verdadeira.
Consciência também faz parte da viagem
Vir a Massarandupió é escolher um destino que cresce, mas que ainda enfrenta desafios reais.
A comunidade tem feito o possível — e o impossível — para que avanços aconteçam sem perder o respeito pela terra, pelas pessoas e pelo futuro.
Se você vem com esse entendimento, vem no espírito certo.
E Massarandupió, como sempre, segue de braços abertos.




