Entre obras, forró e garrafas: a história de Renato do Licor e a tradição que resiste em Massarandupió

Algumas tradições não sobrevivem em museus.
Sobrevivem nas mãos das pessoas.

Enquanto muita gente espera o mês de junho para vestir o xadrez, dançar forró ou acender a fogueira, Renato Costa Batista já está trabalhando há meses.

Ou melhor…

Há décadas.

Porque para Renato, conhecido por todos como Renato do Licor, o São João não dura apenas alguns dias.

Ele dura o ano inteiro. 

“É difícil me apresentar como Renato Costa. Eu me apresento mais como Renato do Licor.”

E talvez essa seja a melhor definição possível.

O menino que fazia licor para os amigos

Renato nasceu em Tanagra, pequena localidade a cerca de 30 quilômetros de Massarandupió. Foi lá que tudo começou. 

Como acontece em muitos interiores nordestinos, o licor sempre fez parte das festas juninas.

Mas, enquanto a maioria produzia apenas para consumo próprio, Renato começou a perceber algo curioso.

Os amigos disputavam suas garrafas.

O licor acabava primeiro.

E os pedidos aumentavam.

Foi assim que, ainda muito jovem, começou a experimentar receitas, sabores e técnicas.

Sem cursos.

Sem internet.

Sem professores.

Apenas observando, errando, corrigindo e tentando novamente.

“Eu mesmo fui aprendendo sozinho.”

A barraca que virou lenda

Em 2010, Renato decidiu transformar a paixão em negócio.

Montou sua primeira barraca de licor durante os festejos juninos de Tanagra.

Naquele ano, produziu cerca de 200 litros.

Para ele, parecia uma quantidade absurda.

Mas o resultado foi imediato.

Sucesso.

Mais de quinze anos depois, as pessoas ainda lembram daquela barraca com carinho. 

Neste ano, inclusive, ela voltará a funcionar, mas será aqui no Arraiá de Massará.

Com o mesmo nome.

Com a mesma essência.

E com a mesma vontade de manter viva uma tradição que faz parte da memória afetiva de muita gente.

Pedreiro de dia. Licoreiro de coração.

Quem encontra Renato durante a semana talvez o veja em uma obra.

Ou ajudando no restaurante da esposa durante os períodos mais movimentados.

A produção dos licores acontece nos intervalos da vida.

Nas horas vagas.

Nos fins de tarde.

Nas madrugadas.

Nas épocas em que a maioria das pessoas está descansando.

Mas talvez seja justamente por isso que cada garrafa tenha tanto valor.

Porque ela carrega tempo.

Carrega dedicação.

Carrega história. 

Inventor de sabores

Ao longo dos anos, Renato deixou de apenas reproduzir receitas.

Passou a criar.

Hoje, muitos dos sabores que produz nasceram de experiências próprias. 

Seu licor de gengibre, por exemplo, possui receita exclusiva.

Já o licor de laranja levou meses de testes até atingir o resultado desejado.

E as experiências continuam.

Melancia.

Tomate.

Pimenta.

Frutas regionais.

Mais de quarenta ingredientes já passaram pelos seus testes. 

Porque para Renato, criar um novo licor é quase como descobrir uma nova história.

O que realmente está dentro da garrafa

Quem compra um licor artesanal geralmente pensa em sabor.

Mas existe algo mais ali dentro.

Existe cultura.

Existe memória.

Existe identidade.

Quando alguém prova um licor de Renato durante os festejos juninos, está experimentando uma tradição que atravessa gerações do interior baiano.

“Eu gosto muito do São João. Gosto do forró. Gosto do licor. Produzir licor é uma forma de manter essa cultura viva.”

E essa talvez seja a frase mais importante de toda a sua história.

O licor e o Arraiá de Massará têm muito em comum

Pode parecer coincidência.

Mas não é.

O mesmo espírito que faz Renato passar meses preparando seus licores é o que move dezenas de moradores que todos os anos constroem o Arraiá de Massará.

Nenhum deles faz isso porque é fácil.

Fazem porque acreditam.

Porque entendem que tradição só continua existindo quando alguém decide mantê-la viva.

Assim como cada garrafa produzida por Renato ajuda a preservar a cultura junina, cada pessoa que apoia o Arraiá ajuda a garantir que futuras gerações continuem vivendo o São João de Massarandupió.

Contribua você também e faça o Arraiá de Massará acontecer!

Muito além de uma bebida

Quando você encontrar Renato por aí, talvez veja apenas um licoreiro.

Mas agora você já sabe.

Por trás de cada garrafa existe um homem que há mais de 30 anos faz a mesma escolha: não deixar uma tradição desaparecer. 

E talvez seja justamente isso que torna seus licores tão especiais.

Eles não são feitos apenas de frutas, açúcar e tempo.

São feitos de memória.

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